Abr
23
2007
Mal vou dizendo que o brasileiro não gosta de opinião e que busca a Verdade a todo e qualquer preço e me deparo com um filme com a seguinte sinopse:
Ao longo da existência da humanidade, um grande segredo foi protegido a ferro e fogo. Homens e mulheres extraordinários o descobriram e não só alcançaram feitos incríveis como também mudaram o curso de nossa história. Platão, Da Vinci, Galileu, Thomas Edison, Beethoven, Napoleão, Abraham Lincoln e Einstein foram alguns dos grandes homens que controlavam a força desse mistério.
E agora, após milhares de anos, o Segredo será revelado para todo o mundo! Confira nesta superprodução histórias reais e incríveis testemunhos de pessoas comuns que transformaram profundamente suas vidas.
Como? O Segredo lhe contará tudo!
Olha, sinceramente, muitas vezes o real supera a toda e qualquer capacidade de previsão de seu absurdo e por mais que aqueles que se propõem a de alguma forma comentar as coisas que por este mundo bizarro acontecem se esforcem em sua articulação surreal ou irônica, eles jamais vão conseguir dar conta.
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Abr
16
2007
Num dos comentários do texto anterior deste espaço, um estimado leitor sugeriu o nome de Paulo Francis para a já-tão-falada votação do Maior Brasileiro de Todos Os Tempos da Folha de São Paulo. Respondi lá mesmo dizendo ser de fato um grande nome, mas que jamais chegaria próximo de ser eleito em razão de ter sido essencialmente um homem de opinião. E que brasileiro tem ojeriza a isso.
Quero me deter um pouco mais nesse assunto.
Brasileiro não gosta de opinião, discordância ou debate, brasileiro gosta de verdade. E a busca desesperadamente e a qualquer preço, independente se para isso tiver de abrir mão de sua liberdade, senso de ridículo, racionalidade ou mesmo de todo e qualquer bom senso.
Aqui, quer-se acreditar. E acredita-se em tudo: Antônio Conselheiro, Pai dos Pobres (ver resultado da votação acima citada), Padim Cícero, Iemanjá, Edir Macedo, R.R Soares, Padre Marcelo, Lampião, horóscopo, borra de café (descobri a modalidade recentemente), mãe Dinah, Tarô. Muitas vezes em quatro ou cinco desses exemplos de forma simultânea. E mais recentemente, claro, o povo brasileiro encontrou na figura do Presidente da República a mais nova encarnação de seu messianismo intrínseco.
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Abr
09
2007
Como alguns de vocês já devem saber, a Folha de São Paulo fez recentemente uma eleição para eleger aquele que seria “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”. Votaram cerca 200 personalidades, dentre políticos, músicos, intelectuais, empresários, etc. e tal. O vencedor: Getúlio Vargas, seguido por Juscelino Kubitschek e Machado de Assis.
Embora tais escolhas sejam bastante questionáveis (um fascista notório, o outro Presidente Bossa Nova e etc…) em verdade, o que me fez querer abordar a tal lista não é o trio que a encabeça (bastante previsível, diga-se de passagem), mas determinados votos proferidos por algumas das figuras convidadas pela Folha. Foi pedido a cada um que indicasse quem seria o tal maior brasileiro da história e que desse uma pequena justificativa para o mesmo.
Eis que três deles cravam: Lula. Sim, é isso mesmo, para os senhores José Dirceu, José Meneguelli e José Lopes Feijó, o maior dentre todos nós que aqui estamos e aqueles que já cumpriram sua missão na Terra (ou não) e nos deixaram é o senhor Luís Inácio Lula da Silva.
O que dizer sobre isso?
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Abr
03
2007
Nunca entendi aqueles que dizem ‘não gostar de política’ e sempre considerei tal postura ou advinda de uma profunda ingenuidade em relação ao mundo ou, pelo contrário, fruto de uma idéia cética, ressentida e pretensamente inteligente de que não existe solução, que o ‘sistema’ (querem algum termo mais genérico que ‘sistema’? Windows XP é um sistema. Capitalismo é um sistema. Pal-M é um sistema.) é corrompido e que o bacana e salutar é pensarmos em nós mesmos, já que “se você não pensar em você, maluco, deputado nenhum vai pensar não, nêgo só quer tirar o dele…”.
Ao autor dessa frase dou razão em um ponto importante: de fato sou maluco. Tirante a esse fato, com conseqüências pessoais que vão do espectro engraçado ao trágico, devo dizer que não tem razão em nenhum de seus pontos. Que há ladrões e que estes são a maioria, não é necessário ser muito inteligente para saber. Talvez não seja tão elementar ao meu nobre interlocutor que a postura individualista e quase sociopática dos deputados apenas reproduz uma cultura arraigada na quase totalidade dos habitantes de nosso nobre país, que via de regra se orgulham de cada microvantagem auferida em seu cotidiano deprimente.
Sendo assim, a revolta da população de classe média, orgulhosa consumidora do Shopping Oi, contra o “vexame do Congresso Nacional” tem a validade de uma nota promissória assinada pelo Clube Atlético Mineiro. Aliás, falar do Atlético me faz necessariamente querer dizer algumas coisas sobre Ziza Valadares Continue Reading »