Dez
03
2007

Por Dani Morreale
Já imaginou nunca mais imaginar? A imaginação é uma fabricação da realidade. Poderíamos perder todos os amores, todos os amigos, mas a imaginação?!
Quando você imagina alguma situação ou cria alguma história é sempre em busca de uma realidade - distante ou próxima. Quanto mais distante é, mais fantástico também é o mundo que se cria - o verdadeiro mundo imaginário. Já a palavra imaginação deriva do latim imaginatio, que por sua vez substitui o grego phantasía. É uma forma de representação do que sentimos não existir no “mundo próximo”. Não é à toa a imaginação ser uma habilidade fecunda e permanente às crianças, que fantasiam todo o tempo pra encantar o que sentem. A condição se baseia na forma, (ou fórmula mágica?) de distanciar “falsas verdades” para ir ao encontro de “verdadeiras mentiras”. Um paradoxo do real para o irreal. É o belo que se condiciona em existir extra-ordinários lugares/coisas/ pessoas/personagens que só a mente pode induzir.
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Nov
26
2007

Por Ana Elisa Ribeiro
Já ouviu falar da FLIP (Festa Literária de Paraty)? Talvez ela seja o evento literário mais badalado do Brasil na atualidade. Não me lembro de outros com tantas celebridades e tanta cobertura de imprensa. Até mesmo o Jornal Nacional dispõe de uns minutinhos para mencionar o convidado fulano ou o escritor cicrano, especialmente os de renome internacional. A FLIP acontece todo ano, na cidade histórica fluminense, e oferece palestras, conferências, mesas-redondas e oficinas para interessados em literatura. Talvez a Festa de Paraty seja tão badalada porque, na atualidade, os escritores podem se tornar celebridades, mais do que em épocas anteriores. Isso não significa que os livros que eles escrevem sejam efetivamente lidos, mas podem ter sido vistos em forma de cinema, por exemplo.
A FLIP, no entanto, não é nem o mais tradicional nem o mais acessível evento de literatura do país. A Jornada Literária de Passo Fundo, no interior gaúcho, acontece há muito mais tempo e, além de promover o encontro entre leitor e autor, produz conhecimento. Das reflexões ensejadas pela Jornada, foram produzidos livros sobre animação cultural, por exemplo. É um evento mais tradicional, mais fundamentado e mais emocionante do que a FLIP. A Jornada tem uma intenção de formação de leitores bem mais evidente.
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Nov
17
2007


A ilustração acima foi feita por Darío Velasco e está na capa do jornal Letras, edição de novembro. Conheça mais trabalhos de Darío aqui e saiba mais sobre o jornal Letras aqui.
Nov
10
2007

Por Manuel Rolim
- Parceiro, onde que eu tô?
- Você ta no céu, baixinho.
- No céu? Sempre pensei que não viria pra cá.
- Não ia vir mesmo. Mas uma coisa mudou a cabeça Dele.
- Sério, peixe? A minha campanha pelos molequinhos com Down sensibilizou Ele?
- Que nada. O Chefe babou foi no gol que você marcou contra o Corinthians. Deu um elástico maravilhoso no Amaral e, sem ângulo, encobriu o Dida. Divino. Mas me acompanha. Querem falar com você.
- Já to vendo, rolou treta por eu ter dito que Ele apontou o dedo e dito “este é o cara”. Eu posso explicar tudo, parceiro.
- Me segue, disse o anjo. (afinal, não é porque eles estão no céu que usam ênclise)
Depois de algumas nuvens de caminhada, o anjo parou perto de um velho, bastante calvo, mas ainda com alguns longos cabelos brancos.
- Sempre quis te conhecer.
- Peixe, que honra. Também sempre quis te conhecer, Deus.
- Romário, eu sou Vinícius de Moraes, o poeta.
- Desculpa, parceiro.
- Sem problema. Você foi da pesada. Dos que eu acompanhei daqui de cima, foi o melhor. Qual o segredo dentro da área?
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Nov
03
2007

Por Tiago Mesquita
Em 1962, Andy Warhol começou a pintar notas de dólar. O trabalho com o tema marcou a maior transformação de sua trajetória: a passagem das técnicas mais tradicionais de desenho e pintura para a serigrafia. Warhol copiava as notas e as transformava em telas de silk-screen. Com elas, transpunha os dólares para o quadro de maneira rígida e padronizada.
As notas apareciam sobrepostas e justapostas de forma regular. Ocupavam todo o espaço do quadro, obedecendo a uma ordem serial e mecânica, em forma de grade. Nos melhores trabalhos, era como se Warhol preenchesse o espaço da tela da mesma maneira em que disporia mercadorias na prateleira de um supermercado. Os efeitos eram estabelecidos pela relação entre imagens gráficas, não por uma abordagem pictórica do que ele imitava e nem por um questionamento da presença daquela imagem em uma tela.
O artista procurou radicalizar os seus procedimentos anteriores. Ele já havia trabalhado sobre as ilustrações das revistas, desenhos de sapato, histórias em quadrinhos e peças publicitárias. Retirava suas referências dos meios de comunicação de massa e os tratava com pinceladas abertas e a tinta escorrida. Era como se pintasse os temas dos impressos ao modo de um pintor americano dos anos 50. O procedimento, inclusive, nos lembra De Kooning e Jasper Johns. As pinceladas são generosas, deixam a marca da tinta e por vezes se desprendem do contorno dos objetos. O artista trabalha os temas quase em um hibridismo entre o desenho comercial e a pintura que sai do expressionismo abstrato. Ele parece acreditar nesse arranjo de cores como uma forma de criação de relações pouco conhecidas a partir de um objeto pouco familiar à alta arte.
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Out
29
2007
Esta coluna do jornal Letras, apesar de atrasada, está riquíssima. Trata-se da ilustração de Roberto Bellini estampada na primeira página do jornal, da edição de outubro. Para ver o desenho completo, basta clicar na imagem para ampliá-la.


Saiba mais sobre o projeto do jornal Letras aqui.
Out
20
2007

Por Luís Giffoni
[…] Abordei o dono da cáfila, um muçulmano com indumentária completa, da bata ao turbante, sem faltar o cavanhaque ralo:
- Quanto custa a volta de camelo?
- Pra subir, dez dólares, amigo. Precinho bom pro amigo virar freguês.
Não dei importância ao risinho cínico que me dirigiu. Como no Egito os preços também devem ser pechinchados até as lágrimas, talvez um pouco além, rebati:
- Pra ficar freguês, cinco dólares.
Exaltou-se.
- Por Alá, o que o amigo quer fazer comigo, me matar de fome? Tenho família, mulher e filhos, muitas bocas para alimentar. A vida das crianças depende destes animais.
- Cinco dólares, pegar ou largar.
- Já vi que o amigo é duro na queda. Oito dólares.
- Cinco ou nada.
- Você está roubando o leite de meus filhos. Por Alá…
- Cinco ou nada – endureci a voz, antes que o egípcio fingisse chorar. Ele era péssimo ator.
- Tá bem, tá bem… Pra mim é prejuízo, mas hoje vou aceitar, porque estou com um filho nas últimas no hospital. Por Alá, a sua consciência não paga dez dólares?
- Não. Só paga cinco.
- Então pode subir, seu desalmado.
Montei no camelo. Aliás, não era camelo, mas dromedário, pois tinha apenas uma corcova. Camelo tem duas. Sempre me confundo. Dromedário, etimologicamente, significa camelo corredor. Não era o caso do meu, ainda bem.
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Out
12
2007

Por Carlos Cardoso
Uma das profissões menos entendidas e mais admiradas no Brasil é a de escritor. Quando eu vivia somente de escrever livros de Informática, quando me apresentava era recebido com reverência – “uau, nunca havia conhecido um escritor antes”- ou incredulidade – “mas você não tem um emprego? Dá pra viver só de livros?”-
Ao mesmo tempo que ser escritor era um grande mérito, viver da venda de seus livros parecia impossível. A sabedoria popular dizia que somente Jorge Amado e Paulo Coelho conseguiam essa proeza no Brasil.
Alguns meses no mercado editorial foram suficientes para mostrar que não só muita gente vivia de seus livros, como mais ainda os usavam como complemento na renda familiar.
Nem por isso fomos invadidos por candidatos à ABL, de manuscritos sob o braço, tentando um lugar ao Sol. A estrutura editorial sempre agiu como um filtro e um limitador, aplicando um choque de realidade aos candidatos.
Agora com a Internet voltou à baila a idéia de ganhar dinheiro escrevendo, desta vez removendo do circuito tudo que poderia atrapalhar. Editor, revisor, custo de impressão e em alguns casos até o leitor.
Popularizou-se a figura do blogueiro. Este pode ser um profissional experimentado, jornalista, publicitário, matemático ou taxista, com uma boa capacidade de verbalizar suas experiências e opiniões, mas a visão popular é de um sujeito que senta na frente do computador, escreve qualquer besteira e vai para a porta do banco esperar o dinheiro cair.
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Out
06
2007

Pelo menos é isso que pensam as pessoas que não conhecem gin. Saiba um pouco mais sobre a história dessa famosa e desconhecida bebida.
Por Daniel Poeira
As poucas pessoas que eu conheço que bebem gin passam apuros todos os dias. Embora o Brasil seja um país conhecido por seu clima quente e pelas bebidas geladas como a cerveja e a caipirinha, a maioria dos destilados ainda é uma espécie de mistério para o público em geral, que só conhece a vodka da caipivodka e confunde Hi-Fi com Screwdriver.
Quem gosta de beber gin ouve sempre os mesmos comentários, frutos do preconceito e do desconhecimento: “gin parece perfume”, “é o último estágio do alcoolismo”, “isso é bebida de velho”. Para tentar acabar com esse preconceito bobo, vamos entender um pouco melhor a história do gin.
Essa história começa na Holanda, no século XVII, quando o médico Franciscus Sylvius criou um santo remédio usando cevada e tonéis de madeira, parecido com o whisky, conhecida como genever, que os ingleses apelidaram de apenas “gin”. Essa bebida foi para a Inglaterra quando, em 1689, a Revolução Gloriosa coroou o holandês William III rei da Inglaterra.
Alguns anos depois, o governo inglês sobretaxou a importação de bebidas estrangeiras e liberou a produção local de gin, deixando de exigir licenças e cobrar impostos. O mercado cresceu com enorme rapidez, pois todo o trigo e cevada de baixa qualidade que não serviam para fazer cerveja passaram a ser cozidos e destilados para preparar a nova bebida.
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Set
29
2007

Por Gabriela Mudado
Antes de mais nada, desejo compartilhar com os leitores o processo de produção desta coluna. Como os princípios do jornalismo e da literatura me ensinaram, a primeira coisa a ser feita quando se deseja escrever sobre um assunto é entendê-lo profundamente. Pois bem, decidi que o melhor seria embarcar numa viagem etílica pelo bares da vida, claro, pelo bem do jornalismo investigativo. Naturalmente, eu já havia experimentado os prazeres do álcool antes de começar este texto, no entanto, todas as experiências etílicas do passado foram estranhamente apagadas da minha memória, o que me obrigou a empreender uma reunião de outras novas.
A primeira e mais importante revelação que tive durante esta jornada em busca da Verdade, foi que todos aqueles escritores que se diziam boêmios, que enchiam a cara de absinto esperando a inspiração chegar, são uns grandes mentirosos. Escrever bêbado é impossível. Eu até pensei que faria muito sentido, que seria um tanto quanto metalinguístico e poético escrever alcoolizada sobre bebida, mas quanto mais eu tentava, mais distante de conseguir eu parecia, o que me fazia beber mais para esquecer a frustração, transformando tudo num grande círculo vicioso.Mesmo que a vontade de escrever aproveitando o calor do álcool exista, a necessidade de procurar por uma caneta e um papel faz o individuo desistir da empreitada em dois segundos para perseguir outra coisa mais interessante como, por exemplo, divagar sobre o quanto considera os amigos de bebedeira ou planejar a sua próxima ida ao banheiro (o que, para um bêbado, consiste em uma epopéia complexa e arriscada, especialmente se o alcoolizado encontra-se em um lugar público e é do sexo feminino).
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Set
22
2007

Por Rodrigo James
Fazer um paralelo entre música e bebida seria mais ou menos a mesma coisa que falar do papel das groupies na história do rock. Nunca fizeram parte de nenhuma banda, mas sempre estiveram ali, próximas, absorvendo tudo o que viam e ouviam ao seu redor e ajudando os artistas a representarem melhor seus papéis. A grosso modo e sem fazer nenhuma piada adicional, é isto, mas como este periódico é um informativo de respeito, não vou entrar a fundo no mérito das groupies e me ater ao papel da bebida.
Venhamos e convenhamos: é bem melhor ouvir uma boa música acompanhado de uma boa bebida alcoólica. Sem querer fazer apologias, mas é uma daquelas verdades absolutas, que ninguém contesta. Já experimentaram colocar “Kind of Blue” de Miles Davis na sua vitrola (Ou cd player. Ou mp3 player.) e degustar um bom vinho? E um whisky? Posso afirmar categoricamente que são experiências fundamentais na vida de um humano e radicalmente diferentes da experiência inversa – a de ouvir “de cara”.
E quando o assunto chega à seara do rock? Já se imaginou em alguma das nossas boas casas de rock, como n´A Obra, assistindo a um show de uma banda como Autoramas e não degustando alguma das mais de 40 marcas de cerveja oferecidas pelo bar da casa? Impossível, amigão! Álcool e música estão intimamente associados para sempre, contribuindo para que este mundo seja menos monótono. Pensando bem, o rock and roll jamais foi monótono. Vamos mudar o termo então para “careta”, que fica tudo bem.
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Set
15
2007

Por Discotecário Chanceler
Um grande prazer que tenho é sentar sozinho para tomar uma cerveja. Acompanhado de boa música penso sobre meu trabalho, minha vida pessoal e minha mulher amada.
É um momento precioso cercado de bons pensamentos, muito ao contrário da fama que o ato de beber sozinho impõe. Nesta coluna dou algumas dicas de como aproveitá-lo melhor.
• Nunca exagere na quantidade de bebida quando estiver sozinho afinal, você só pode contar com você mesmo se ocorrer algum problema. Prefira bebidas com menor teor alcoólico como a cerveja e se quiser, um aperitivo para servir de guia. Se quiser exagerar avise a algum amigo o local onde está e pegue uma carona na volta.
• Evite lugares da moda ou próximo de ambientes de seu trabalho. De forma geral, as pessoas não fazem um bom julgamento de quem bebe sozinho.
• Dê preferência a bares com balcão. Desta forma, você pode ficar mais à vontade sem se expor muito. Para sentar à mesa escolha bares, botequins e mercearias de bairro. Nestes lugares há uma cultura apropriada para isto.
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Set
08
2007

Por Fernando Americano
A vida na Rússia sempre foi muito difícil. Invernos rigorosos que duram quase o ano todo, guerras, mulheres brutamontes e pessoas falando russo nas ruas. Antigamente era ainda pior pois não era possível beber em eventos sociais como micaretas ou em apresentações do Bolshoi. Não que fosse proibido vender bebidas alcoólicas ou qualquer coisa do tipo, mas no século XII ainda não havia destilados e as bebidas fermentadas além de estragarem rapidamente davam um trabalhão danado para serem feitas. Portanto, as pessoas só bebiam em ocasiões muito, muito especiais como o nascimento de uma criança, uma vitória militar ou durante o funeral de algum ACM local. E pra ser sincero, nem devia ser tão divertido assim. As principais bebidas consumidas na época eram o hidromel (fermentado feito a base de água e mel), a cerveja e o vinho, todas com baixa graduação alcoólica. É muito difícil de se obter concentrações de álcool maiores que 15% pelo processo de fermentação, e vocês sabem, menos álcool, menos diversão.
Até que alguém, não se sabe exatamente onde nem quando embora eu possa imaginar o porquê, teve a idéia de destilar o vinho. A destilação elimina algumas impurezas deixando o liquido cristalino e com sabor mais suave. Este destilado era misturado à água para ser utilizado como remédio por suas propriedades anestésicas e desinfetantes (a propriedade de embelezar o próximo ainda não havia sido descoberta). A esta aguinha milagrosa os médicos deram o nome de… aguinha, ou vodca em russo.
Até que alguém percebeu que a tal aguinha podia até ser insípida descendo, mas era inesquecível subindo. O destilado passou a ser consumido como bebida, misturado à água em diferentes proporções. Era uma fonte inesgotável de alegria e prazer e de bebês em alguns casos.
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