Nós do Caixa Preta sempre prezamos pela cavalheirismo no tratamento com as damas, razão pela qual oferecemos o direito de expressão, no Discutindo a Relação, primeiro a elas. Porém agora, devido a uma reestruturação da coluna mais acessada do Brasil, optamos por inverter essa ordem. Sendo assim, hoje Douglas terá a palavra. O tema? O Orkut e todas as suas consequências em um relacionamento.
Por Douglas Damasceno
Uma das formas mais eficientes de conhecer pessoas interessantes é através da indicação de amigos. Aliás, tudo na vida é facilitado com um bom networking. Por que conhecer uma tchutchuca nova seria diferente?
- Cara, tenho uma amiga para te apresentar.
Diante de um gancho desses, como um homem poderia deixar de morder a isca? Até alguns anos, a resposta padrão seria:
- Bacana, me fala mais dela.
Mas o mundo mudou e a Internet, cada vez mais dominante, está mudando hábitos e até procedimentos de caça. Provavelmente, o cidadão dirá:
- Bacana, qual o orkut dela?
Ah, o orkut. A partir da premissa de uma rede de relacionamentos show de bola, esse troço se tornou a maior vitrine pessoal do século XXI. Não importa mais como você é. O que conta é como você está vendendo o seu peixe.
Conscientemente ou não, a rapaziada monta perfis de acordo com a forma como quer aparecer ou até gostaria de ser. O objetivo principal é a popularidade. Mais ou menos, seria seguir o refrão do Roberto Carlos: “eu quero ter um milhão de amigos”, mesmo que apenas uma meia-dúzia seja pessoalmente conhecida. Na telinha digital, eles são esportistas, festeiros, amigões, micareteiros, roqueiros, mochileiros, intelectuais, alternativos e o que mais quiserem. O que vale é ser interessante aos olhos de quem puder ver.
E como uma imagem vale mais que mil palavras, as fotos me divertem ainda mais. Se o cara é fortinho, tem sempre um retrato sem camisa. Se ele prefere fazer o gênero misterioso, adere ao feijoada-style: pedaços de orelhas, pés, olhos, nariz etc - tudo quase sempre desfocado para ficar ainda mais enigmático. E o amigão? Fica até difícil identificar o sujeito, pois cada foto está entulhada de gente sorridente e abraçada. Lembra do Onde Está Wally? É o mesmo princípio. Ainda tem o tocedor fanático, Don Juan, cowboy, artista, modelete, aventureiro, romântico-brega, lutador, etc etc.
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