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Rádio na cabeça

Em entrevista à influente revista Spin, há um bom tempo atrás, Thom Yorke, líder da banda inglesa Radiohead disse: “Em nossa música tem uma violência em uma linguagem suave”. Quando a banda lançou o Amnesiac, todos se espantaram, nossa, o que é isso? Tudo estava diferente no tão aguardado novo álbum da banda, e todos se chocaram. Mas era um grande disco.
Quando alguém me perguntava o que eu tinha achado do disco, eu simplesmente não tinha capacidade pra falar, e foi assim com todo o mundo, enquanto o disco ganhava prêmios do ano nos tablóides de música todos nós não sabíamos o que dizer dele. Eu achava legal, dizia que era bom, que era melancólico e belo. Mas tinha uma pergunta que não queria se calar? Essas músicas funcionariam ao vivo? 

Elas funcionam, e como.  Mesmo após de tanto tempo, ainda não me cansei de ouvir I Might Be Wrong. Thom Yorke e banda ai vivo mostram que são competentes e capazes de botar a galera pra chorar, dançar e se enlouquecer. O disco, gravado em Oxford, Berlin, Oslo e em Vaison La Romaine, na França, já abre na esquizofrenia elegante de National Anthem que dá vontade de dançar.

A quinta música, Idioteque, minha preferida, é doida demais, muito boa. Minha primeira imagem foi de uma rave muito boa (não, Radiohead não esta fazendo “dance music) e espacial. Sempre tive uma dúvida se essa música funcionaria num show, mas foi feito, e bem feito. È bom demais. Ao vivo tem momentos impagáveis como a emoção contundente e desvirtuada da terceira faixa, Morning Bell, a emoção sufocante e desesperada de Everything In Its Right Place e o povo com palminhas, cantando em coro em algumas músicas acompanhando a (in) felicidade de Thom Yorke. De chorar.